classeB

Nunca como nos últimos tempos li tantas matérias sobre a classe C. O que se diz agora é que ela deixou de ser um segmento de mercado para se transformar no verdadeiro mercado nacional, com R$ 427 bilhões consumidos por ano. Este crescimento nao só mudou a estratégia de algumas marcas, como fez surgir institutos de pesquisa, revistas e empresas de inovaçao especializadas em seus hábitos e desejos, que evoluíram muito. Diferente do que se acreditava, as pessoas nao querem produtos baratos, mas qualidade e bom custo vs benefício.

No alto da pirâmide, para manter seu status e identidade, a classe A busca produtos diferenciados, exclusivos, com produçao limitada e muita sofisticaçao, disposta a pagar preços altos pelo que valoriza. Muitas consumidoras, acreditem, acostumadas a usar algumas marcas para ajudar a criar sua identidade, estao incomodadas ao vê-las nas maos, bolsas e casas de cada vez mais gente. Com isso, o mercado de luxo também está se reinventando, revendo posicionamentos e estratégias.

Espremida entre duas classes em pleno movimento, a chamada classe B está em crise de identidade. Nao pode pagar os preços exorbitantes de produtos exclusivos, roteiros de viagem sofisticados, bebidas raras e também nao quer comprar os mesmos produtos que a grande massa está comprando, graças a um bom momento econômico, consumindo com muita alegria e sensaçao de vitória alcançada… Fico pensando se, logo, logo, nao será feito um novo arranjo da pirâmide, com novas letras, talvez até a eliminaçao de algumas. Para atender esta nova ordem socioeconômica, as marcas também terao de se reorganizar para satisfazer consumidores que querem ser únicos e especiais, sempre ;-).

Tania Savaget

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Tania Savaget

2 Comentários

  1. Vem muito a calhar esse texto! Um raciocínio que faz todo sentido por tanto se falar em luxo e classe AA AAA A+ e a faixa larga da classe C.

    Na verdade muita gente usa essas letras sem um conhecimento exato de que faixa estão falando. Aqui tem um link que explica bem: http://www.dozen.com.br/nakamura/apostila_abep_cceb.pdf

    Bom texto!
    Abs.

  2. No livro: A Ralé Brasileira: Quem é e Como Vive de Jessé de Souza.
    Ele fala como os pequenos gestos do cotidiano perpetuam as relações desiguais. Se, por um lado, o poder econômico dá acesso – a violência simbólica – torna natural e ainda perpetua a desigualdade.

    A Classe C invadiu sua praia. Estão indo a escolas de tecnologia e aprendendo profissões emergentes. Buscam educação na qual a mão de obra é escassa. Prepare-se. A você, que ainda acredita em diferença de classes sociais, vai apenas restar fazer cursos na Casa do Saber e afins, ler muito e discutir Schoppenhauer para “manter as coisas nos seus devidos lugares” (via BlueBus).

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