Sorvete Social

UMA REFLEXÃO SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DO CONSUMIDOR COM A CHEGADA DE MEIOS PARA DISTRIBUIÇÃO DE CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO

Comecei há alguns dias a leitura do livro “A bíblia do marketing digital” do autor Claudio Torres e já no primeiro capítulo encontrei uma excelente história que ilustra muito bem o processo de transformação do consumidor com a chegada de meios para distribuição de conhecimento e informação. Gostei tanto de seu desenvolvimento e da forma com que encaixa-se com o contexto que estamos vivendo, que fiz questão de digitá-la e comentar para que vocês também pudessem tê-la como referência ilustrativa desse processo.

Em alguns pontos do texto, coloquei em negrito frases que merecem uma atenção especial durante a leitura.

Espero que também gostem!

O Sorvete Social

Scoopville é uma pequena cidade famosa por seu sorvete, onde há mais de vinte anos a empresa Big Ice Cream vem produzindo sorvetes de excelente qualidade, em sua grande fábrica na cidade.

Um dia, a Big Ice Cream, preocupada com o atendimento de seus clientes, criou um grupo de trabalho que após vários estudos, descobriu que poderia maximizar os lucros da empresa, oferecendo três diferentes sabores de sorvete: chocolate, baunilha e morango. Os consumidores de Scoopville ficaram contentes com a novidade, afinal, nunca haviam imaginado que sorvetes pudessem ter sabores diferentes.

Mas um dia algo aconteceu em Scoopville. Uma nova invenção chegou à cidade. Um novo eletrodoméstico, que permitia a qualquer um fazer seus próprios sorvetes, a um custo competitivo. Isso mudou tudo.

Os Smith decidiram fazer sorvete de abacaxi. John fez sorvetes de pistache. Silvia, apaixonada por conservas, inventou o sorvete de picles. E de repente, todos na cidade começaram a inventar seus próprios sorvetes, de todos os sabores imagináveis, a um custo baixo, distribuindo depois a seus amigos e parentes.

Obviamente, alguns sorvetes eram mais populares que outros, mas tudo bem. O sorvete de picles da Silvia tinha poucos fãs, mas eles eram muito fieis, e se divertiam com a idéia de que eram os únicos que gostavam de sorvete de picles. Já o sorvete de John ficou tão famoso entre os amigos que ele criou sua própria loja, onde passou a vender os sorvetes que criava.

Com o tempo as pessoas começaram a pensar diferente sobre o sorvete. Ele não tinha que vir só de uma fabrica: podia ser produzido por amigos e parentes. O sorvete se transformou em algo para compartilhar, para reunir pessoas, para se divertir.

A Big Ice Cream continuou fazendo seu melhor sorvete de baunilha da cidade e, para a surpresa deles, por causa do interesse em sorvetes, as vendas da empresa aumentaram. Mas foram os sabores originais e a criatividade dos sorvetes feitos pelos moradores quetrouxeram pessoas de todos os lugares para a cidade.

Entretanto, os visitantes enfrentavam um problema. Eram muitos sabores e muitas pessoas fabricando. Os visitantes ficavam perdidos. Queriam conhecer os mais populares, os mais novos, os mais interessantes, mas tinham dificuldades de encontrá-los.

Então John teve uma idéia: colocou um painel na frente de sua loja e convidou seus clientes para escreverem o que achavam dos sorvetes que experimentaram. Eles podiam dar notas, indicar sorvetes e colocar comentários com suas impressões pessoais.

As pessoas adoraram a idéia. O painel de Silvia mostrou como seu sorvete era único, e o John se encheu de comentários positivos.

No final, algumas coisas ficaram claras: os sorvetes melhoraram,porque os fabricantes aprendiam diretamente de seus clientes; as opiniões nos painéis funcionavam melhor que qualquer propaganda, atraindo mais clientes; e os painéis permitiam que os consumidores encontrassem exatamente os sorvetes desejados.

A combinação da nova tecnologia com uma nova maneira de se relacionar com as pessoas e os consumidores tornou Scoopville uma cidade única.

Fim!

Troque agora a fábrica em Scoopiville por grandes organizações detentoras de conhecimento e informação, os sorvetes pela informação, o eletrodoméstico (utilizado para fazer os sorvetes) por blogs e ferramentas de interação e as placas por mecanismos de busca.

O interessante é a reflexão sobre cada detalhe da história. O quanto a informação e sua personalização, são ilustrados pelo gosto de cada pessoa por determinados sorvetes e, como elas entre si, identificam-se por isso. Os diferentes sabores, aproximaram pessoas, pois muitas se encontraram em locais que só possuíam o tipo de sabor que gostavam, semelhante aos blogs e comunidades de redes sociais, onde pessoas encontram-se e compartilham assuntos e gostos em comum.

A indicação pelas placas pode ser comparada as ferramentas de buscas. Pelos resultados de uma busca você consegue encontrar mais daquilo que deseja saber, assim, caso mais pessoas apontem para você, melhor você será posicionado, consequentemente, maiores visitas terá.

Para finalizar, acredito que o mais importante é a reflexão sobre um dos últimos detalhes da história: como toda a cidade mudou e cresceu por causa do conhecimento, do encontro, da opinião e por compartilharem daquilo que gostam.

Aproveito para indicar a leitura do livro a A Biblia do Marketing Digital, do Autor Claudio Torres, do qual a história foi retirada. O livro é um grande guia para quem deseja obter mais informações sobre marketing e publicidade na internet.

Até a próxima!

Bruna Milagres

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Bruna Milagres

1 Comentário

  1. Mto bom o texto. Vale muito pra nossa área, tanto para o design colaborativo, no que se refere a sources e referências, quanto principalmente para tecnologia, veja como as tecnologias ágeis estão revolucionando o desenvolvimento de projetos web, tornando-os mais acessíveis e caminhando rápido para a tendência dos web-services…

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